Olá queridos moradores da Casa da Poesia... Bem vindos!

Para iniciar nossa sala filosófica eis que proponho um tema basal e elucubrar um pouco sobre como encarar a morte.

Para Arthur Schopenhauer, o fato de que nossas vidas estejam cercadas por nada nos leva a sentir ansiedade metafísica, "uma angústia existencial que nos assalta quando tentamos contemplar o abismo eterno do Nada", como resume Simon Blackburn em Pense: Uma Introdução à Filosofia.

Os dois nadas não nos angustiam igualmente. Pode dar vertigem saber que milhões de anos se passaram até nascermos. Mas o nada que virá é o que costuma dar mais medo: milhões de anos passarão (provavelmente) quando já estejamos mortos. Por que não escutamos o filósofo romano Lucrécio, quando diz em Da Natureza das Coisas, que esta eternidade até nosso nascimento é um espelho do que vai acontecer depois de nossa morte?

De fato, para Epicuro, esse medo é irracional. A morte não é nada, já que, uma vez mortos, não poderemos sentir absolutamente nada. Não deveríamos temê-la porque, quando chega, já não estamos lá.

As palavras de Epicuro são geralmente recebidas com admiração, mas sem causar muito efeito. Antes de nascer, não existíamos, mas de fato existimos antes de morrer. Certamente, não saberemos como é estar morto, mas saberemos "o que significa morrer", como observado por Oriol Quintana em 100 preguntes filosòfiques (100 perguntas filosóficas).

E se pudéssemos ser imortais? Segundo o britânico Bernard Williams, a imortalidade seria entediante e tiraria o sentido de nossas vidas. Sempre haverá tempo para fazer tudo e, consequentemente, não teríamos urgência em fazer nada. Ou seja, talvez não consigamos nos livrar do medo da morte, mas, pelo menos, pode servir para nos lembrar que devemos aproveitar nossas vidas. E não ainda que sejam breves, mas precisamente porque são.

Baseado em JAIME RUBIO HANCOCK

Comentem... Pois essa seção é para filosofarmos! 
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Respostas a este tópico

Neste momento, com efeito, a morte tem seu destaque: lembre-se da morte, cuide da vida...

Lembro sempre das palavras da minha avó que dizia: " Devemos trabalhar como se nunca fôssemos morrer e viver como fôssemos morrer a qualquer momento". Hoje eu entendo quanta sabedoria havia em sua palavras.

Bom navegar por afirmações diversas... De fato temos o mal hábito de protelar as coisas... Embora eu tenha a ansiedade em fazê-las, o que também nem sempre é bom..., mas opto por não deixar para o amanha. Às vezes a vida corrida nos impede de ser, nem sempre dá..
Abraços,

Acho que o tema favorece horas de Debate que estará cercado de pressupostos inexatos e que nunca serão comprovados. Mistura-se a filosofia com religião, com espiritualidade, com ciência e com o melhor de tudo... com o avanço do conhecimento que filósofos não tinham, porque o mundo era outro.
As teorias são válidas, porque seguem um padrão de metodologia científica. Mesmo que os dados fossem absurdos para o hoje, a lógica prevalecia.
Partir de pressupostos classificados como conhecimento definitivo que estabelecem que existe o preto e o branco... o sábio e o ignorante... o certo e o errado... a morte e a vida... o tudo e o nada.
Como opor tudo ao nada??? Tudo existe, portanto, é. Nada não é. Não existe, não tem definição, se tivesse seria algo. Vê-se que faltava abertura, tanta que opor a vida à morte é absolutamente contraditório cientificamente e espiritualmente. Morte é vida continuada em outro plano. São a mesma coisa, uma tangível e outra, não. Isso em termos, porque se quisermos saber o que é a vida, devemos olhar para um corpo sem vida. Aí entenderemos que o segredo da vida está além do simples ser e estar.
Vida é tudo, é espiritual e imortal, morte é nada, porque não é.
Indico a leitura de um livro chamado: Einstein e Kardec. Ele mostra a evolução da ciência até o máximo possível para o ser humano. Até que ele para na chama da vida. No espírito criado por um Deus que é tudo.

Lineu Mattos.

Concordo Renato!

Interessante observar que "Santo Agostinho", seguindo "Platão", afirma que as ideias vem de Deus, portanto, a sabedoria e as criações do homem são inspirações divinas. Assim a fé pode coexistir com a razão. "Santo Tomás de Aquino, seguindo "Aristóteles, afirma que o "ser" está em todas as coisas, portanto, a presença de Deus está em tudo e em toda a matéria e em todos os "seres", basta observar...
Por mais que queiram negar a existência de Deus e a imortalidade da alma, mais temos certeza que Ele existe e tudo isso estava, de certa forma, previsto. Faz parte da evolução da alma, acredito.
O homem não o “definitivo”, ele, como matéria, é um veículo que ocupa um 3º degrau em 10 da escala evolutiva. Tudo isso é absolutamente necessário e faz parte ínfima do comportamento do Universo. Não pode ser simples acaso, concorda?
Enfim... é bom pensar e crescer.

Notícias & Destaques disse:
Lineu Mattos.

Concordo Renato!

Interessante observar que "Santo Agostinho", seguindo "Platão", afirma que as ideias vem de Deus, portanto, a sabedoria e as criações do homem são inspirações divinas. Assim a fé pode coexistir com a razão. "Santo Tomás de Aquino, seguindo "Aristóteles, afirma que o "ser" está em todas as coisas, portanto, a presença de Deus está em tudo e em toda a matéria e em todos os "seres", basta observar...

A dualidade, de existir ou não é contraposta pelo saber ou não!
"Uma arvore caiu em uma floresta, e você não viu e nem soube.... A arvore realmente caiu? A arvore se quer existe?"

A síntese de Deus, ser tudo o que conhecemos e tudo que não conhecemos, sendo que a nós mesmos não conhecemos... Considerando que a presença de Deus está em tudo nos remete à enfatizada tese de que a junção de tudo é Deus (ou chame como quiser, logo somos esse fragmento que move e faz parte dessa grande engrenagem, fazendo-nos o próprio Deus.

E a arvore?

;)


...e, então, quando o ato de filosofar nos faz parar, pensar, elocubrar e, com sorte concluir algo, é que ai reside a função - não da causa, mas do (e)feito- da existência no sentido amplo. É o paro da subjetividade cotidiana e finalmente um olhar acima e além.
Senão, como entender os filosofos greco-romanos, quando tão profunda e lindamente acreditavam e afirmavam a morte ser apenas "uma dimensão no cuidado de si"...?
Amo filosofia! Nada é mais humano e eloquente do que o Pensar, especialmente o Profundo, o da mirada, análise e absorção de todas as coisas, como partículas únicas e até bem pessoal, ou seja, a relação direta Ser-Existir-Pensar-Ser parte-Agir.
Vixe...acho que voei...rsrs.

Por observação empírica, que TB é científica. Nada na natureza é desperdício. Tudo se transforma. A matéria, descrita no livro dos espíritos ė fenda, pesada. O espírito é etéreo e fluídico, somos energia. Essa é eterna e irá voltar no seu local onde foi originada. Já segundo Platão, o mundo idealizado é o perfeito e verdadeiro. Aqui, na vida da matéria ėbuma cópia imperfeita deste mundo. Assim como a palavra, se torna pobre muitas vezes para explicar um sentimento. A vida espiritual não cabe totalmente na meteria,vé um fragmento.
Agora, existe uma teoria sobre os Egípcios, que trouxeram à luz do mundo o conhecimento sobre geométria, e TB a teoria reencarnatoria. Serem seres extraterrestres. Mas eles imaginavam que o corpo deveria ser preservado para que a alma ali reecarnasse. Passagens bíblicas, afirmar a necessidade de nascer de novo. Apesar do entedimento das igrejas negarem a teoria reencarnatória. Fato é que sabemos: - A bíblia foi muito modificada pelos Concílios, para manipulação do homem. Jesus Cristo deixou conhecimentos libertadores. Todos queimados.
Tememos a morte, assim como TB choramos ao nascer. As passagens são dolorosas. Mudar de estado: matéria para etéreo TB. Mas se observarmos toda a natureza, ela já faz uma leitura sobre nossa natureza no ciclo evolutivo. Somos seres Dimideos, dual: Animal e espiritual. Dotados de livre arbítrio para realizarmos nossa missão. Eu creio que o equilíbrio é o que devemos buscar. Negar a carne, impossível. Vivemos nesse mundo para termos experiências desteundo. Negarmos o espírito também é um erro brutal, e nos distanciamos de nossa essência divina. Mas a morte aqui se faz necessária. Porque nosso corpo físico é somente um instrumento de prova. E sublimar é o objetivo. Somos alquimistas. Ou devemos ser.

Permitam-me caros confrades desta casa, expor um pouco as minhas opiniões sobre os mistérios que o tema propõe. A questão do nada remete a coisa alguma, e, portanto o nada n ão se discute! (rsrs)... Mas a vida se contrapõe ao nada. Ela é o oposto do nada, a partir do seu início! Embora do nada Deus o Supremo Criador de tudo, criou a vida! E Ele a criou, exatamente para preencher os vazios desse nada, com a substancialidade do tudo que representa a vida. Ele próprio num sentido de eternidade é a vida. Do nada fomos criados para sermos eternos... Apenas mudamos de endereço e de pele (ou corpo)! Penso que, o tema não se esgota, se o discutirmos sob a ótica da filosofia Shopenhaueriana, ainda que, segundo ele, a vida é cercada por nada e nos leva a sentir uma angústia existencial... Ou o desprezo de Epicuro à morte como uma pequena faísca do nada! Bem, voltando então, à minha opinião, sobre a discussão, a imortalidade, como o próprio nome enseja, é imortal... Nela não há a morte nem o nada! Vejo a realização em plenitude da verdadeira vida proposta pelo Criador, que antes nos colocou por aqui, nesta linha de montagem e sujeitos a testes! A vida humana, tem como objetivo, um depuramento existencial onde o ser humano é carente de perfeição... É uma máquina imperfeita e instável a reparos de qualquer monta. A morte pode representar um colapso nesse mecanismo, que, passa por um período de provas numa linha de montagem e jamais é aprovada! Já viram um carro, virar o seu hodômetro para mais de cem mil quilômetros e continuar com a mesma potência e desempenho de quando saiu da linha de sua montagem?... Nascemos do nada para o nada da vida humana... Nosso destino é o tudo para a vida eterna.

Pense na morte, lembre da vida! Já vi esta frase em algum lugar. Ainda que alguém pense que a eternidade poderá ser entediante, acho que como nessa vida, haverá sempre novas oportunidades, espero. Imagino acordar e não saber mais se estou vivo ou morto. Que a eternidade me espera. Que tudo e por onde eu andar será algo novo. Como quando se muda de casa. Se muda de bairro. E os novos vizinhos não são conhecidos. Esperam um alô. Um bom dia! E depois, tudo se acomoda, com tudo se acostuma... Assim seja! Espero!

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