O tempo não presenteia resgates.

O aceno fechou-se na palma da mão.

As horas, minutos e segundos suspenderam o olhar.

Nada trará, ao instinto, cruel em demasia,
Palavras omissas.
Furtivas.

Hoje sei,
E como sei,
Que asas quebraram-se,
Envelheceram,
E o voo declinou.

Deixa-me reinventar.

Reajustar num recorte e cole as palavras interrompidas.

E com o lapso da minha memória,
Inverter o verso,
Murmurar a prosa presa à garganta.
Soletrar aos quatro ventos.

Deixa-me fazer com que a vida pouse novamente,
Entre meus dedos frágeis e frouxos.

Desdobrarei a canção,
Guardarei o silêncio na pele esfolada,
E no corpo quebrarei o vício da minha insensatez.

- Às vezes,
Teima o tempo em ser e parecer,
Aquilo que não será.

Irremediavelmente.

Recolher-me-ei a uma débil fragilidade
Atravessarei portas fechadas,
Neste espaço turvo e branco.

Deixa-me caminhar a ermo.
Sem meio termo.

E procurar,
Dentro de mim mesma,
Uma história vã.


Composta apenas,
Por pontos de interrogação.

Angela Lazzari

(Aos doze dias do mês de Maio de 2019).

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Comentário de maria jose zanini tauil em 14 maio 2019 às 17:06

"Deixa-me caminhar a ermo.
Sem meio termo."
Belo!!!

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