Assim é a forma de quem sonha...

As sílabas são mansas...

E ainda me digo sem ao menos perceber,
Que o Paraíso não pode estar assim tão longe...

Quase como um fio partido,
Falta-me a dimensão,
Falta-me o doce na transformação dos dias....
De quem já não bate mais as asas, por tanto não entender...

Risco as digitais deste eu sobrecarregado,
E aguardo que os meus retalhos sejam remendados,
Com dobras de esperança,
Com linhas doiradas que nunca se rompem...

Dói-me o poema dilacerado,
Fere-me este murmurar de palavras....

Frágil e doce criatura!
À frente da porta trancada, no labirinto em que se perde...
Na mansuetude do fechar da existência...

Sim...
Falta-me a consoante d’um poema maior,
Falta-me a história por tantas vezes interrompida,
Adiada para o outro tempo,
Numa nova dimensão, despedaçada no solo infértil ,
Naquele momento inesquecível....

E acima,
Bem acima de todos os incontáveis retornos d’alma,
Impera a voz do vento e da descontinuidade da loucura...

Enganar-me-ei até o último suspiro dado,
Fraquejarei até o desbotar das cores do sorriso,
E como quem reza, vou bordando as rimas,
Com pequenos milagres...

Das horas que soam,
No ventre de quem sente a dor do que nunca foi,
Caminho sem remorsos pelo que não tive,
Ainda que seja frio o alvorecer de todas as manhãs....

E para não dizer que nunca falei do que não se ousa saber,
Beijo o coração perdido e permito-me sem licença alguma,
Sonhar entre lágrimas silenciosas,
Seguindo adiante ao encontro da vida que s’ espera,
Que me redime e que me faz maior,
A cada dia,
A cada procura descontinuada....

Ao tempo é pedido um tempo,
E se bem me recordo,
(pois os olhos já andam meio embaçados),
O dia, naquele dia, foi quase verdade...
Nasceu luz, para num átimo, morrer...

E renasceu em flor,
Numa Primavera qualquer,
Sem nunca ter reconhecido a partida...

Não te preocupes,
(essa voz que soa constante)...

Guarda-te ilesa da desesperança....

Solta-te da perdição que há muito já não mais te acompanha...

E deixa-me dizer-te:

Ainda existes,
Ainda permaneces...

Mesmo que por dentro a alma ainda chore,
Mesmo que por dentro ainda sejas somente,

Mais um naco de sobrevivência...

Angela Lazzari

(Dezembro de 2017).


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