A vida retardou-me os ponteiros do relógio.

Atrasamo-nos.
Perdemo-nos.

O peito,
Num mudo calafrio,
Desassossegou.
- O tempo parou.

Fingimo-nos únicos.
Tropeçamos nos sonhos.
Iludimo-nos.
Enganamo-nos.
Acreditamos em nossas próprias mentiras.
- Envergonhei-me, calada.

Isolei-me.

Subtraí-me do meu próprio pensamento,
Em febre que me consumiu,
Em noites que me enlouqueceram.

Reinventei os nossos dias,
Guardando comigo tanto anos.
Incontáveis.
Miseráveis.

A tua ausência foi,
- E ainda é,
A minha saudade maior.

Vesti-me de silêncios.

E no arrastar de mil vidas,
- Que sonhamos partilhar,
Minhas lágrimas foram aprendizes das tuas palavras.

Amaldiçoei-te a cada gole de vinho,
Tinto de sangue,
Por não ter-te num sorriso.
Por não saber-te no brilho do meu olhar.

E num retalho de comiseração,
Despi-me de ti.

Empobreci de tal forma,
- E tanto,
Que me dilacerei em pequenos rasgos.

E agora, nesse pequeno espaço,
Não caberá jamais,
A tua e a minha presença.

Angela Lazzari

(Aos oito dias do mês de Maio de 2019).

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