Fico estirada no vazio, que pesa;
Sem ter bagagens, de mãos ocas,
Tento distribuir apenas o pão e o vinho,
Nesta liturgia não mais sagrada.

Contorço-me neste inverno que não chega,
Numa geleira que conserva este corpo,
Que há tempos,
Parece já ter ido embora.

Esqueci-me,
- e não quero mais,
Propagar meu vocabulário,
Que faz-me sentir uma dor desmantelada,
Um desassossego que causa-me pena e dó.

Duas vogais e duas consoantes.

Rabiscado num cinza confuso,
Nem eu mesma sei dizer para onde o caminho nos leva.

Sinto a queda acolher-me com carinho,
Daquilo que penso restar nesta vã existência.

O que pretendo enxergar,
Vislumbrado através das grades,
Eu não ouso nem mesmo explicar.

Perco palavras,
Misturo letras.

Pressinto na paisagem ilusória,
Que estas duas vogais e duas consoantes,
São lascas pontiagudas,
- Que nos castigam,
- Que acenam adeus,
- E que rasgam a coragem que aos poucos se esvai.

- Duas vogais.
- Duas consoantes.


Que sacodem lenços brancos,
Revestindo-nos de cansaço,
Negando até o poema que o pretende dizer.

São sobras perdidas,
Que ficam,

- Maltratam,


E que habitarão eternamente,

- Dentro de nós....

Angela Lazzari

(Aos dez dias do mês de Novembro de 2019).

Exibições: 35

Comentar

Você precisa ser um membro de Casa da Poesia* para adicionar comentários!

Entrar em Casa da Poesia*

Comentário de Shamara Paz em 21 novembro 2019 às 17:41

Nossa! Que perfeição...

Comentário de maria jose zanini tauil em 11 novembro 2019 às 21:21

Duas vogais e duas consoantes que determinam tudo!

Editora Casa da Poesia

Chegou o

Volume 9 da Antologia 

Volume 8 da Antologia

 Volume 7 

                VOLUME 6 

    

PARCEIROS

Nas Redes Sociais

                          CLIQUE AQUI

Fotos

  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Aniversários

Acesso ao CHAT da Casa

              Clique Aqui!

© 2020   Criado por Casa da Poesia*.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço