EUACEITO -, MAS O CÁRCERE É PRIVADO!

imagem: google

Ela chega de cabeça baixa, envergonhada, contendo um soluço e a vontade de gritar! 
Calada, segue o policial que a salvou das garras do mostro, mas  que agora a deixa, exposta, despida de sua integridade.
Todos os olhares são para ela.  O sangue que escorre e pinga no ladrilho frio também é dela. Ninguém ali sabe seu nome nem sua história, sua vida.
Diante da porta aberta, ela sente a vida se esvaindo. Que gosto tem a vida?! E esse cheiro de perfume, de onde vem?! Estes corredores brancos apinhados de gente,  rostos magros, encavados, bocas sem dentes, olhos em névoa... 
Os passos dela são tímidos, quase de menina. Segue de cabeça baixa. Olhos fixos nos sapatos caros à sua frente. Queria ter sapatos assim. Queria ter uma vida assim, branca e perfumada. Vida de anjo em corredor de ladrilhos brancos. 
O raio x... sente medo! Apenas um click! E nada mais...
Somente os ossos brancos quebrados. A dor e o gosto do sangue adocicado. As lembranças são inevitáveis: a imagem de Cristo na cruz, um altar, uma prece, alianças, "eu aceito"...
Não sabia que esta dor viria junto. Não quer mais a dor. Olha para as mãos - os calos, as unhas quebradas, roídas de esfregar o chão. A aliança fina, riscada, amassada. Sinal do compromisso de amor e de dor. Quando ganha a rua, o ar frio lhe traz cor as faces pálidas...a aliança, joga fora. Não é de ouro, não dá para por no prego!

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