Insensatez...

Em tempos tão difíceis nada como um bom e prolongado fim de semana na praia com a família. Guarda sol. Bronzeador. Um bom livro. Uma cervejinha gelada! E assim, depois de vencer todos os obstáculos dessa vida moderna, inclusive, financeiros; é muito bom curtir um merecido descanso na praia... Sol quente. Cabeça vazia...

Mas, como diziam os antigos: “cabeça vazia é oficina do diabo...”

A tarde estava quente... A calma dominando minha mente. Tudo aparente! O que me pareceu um ótimo convite: Dar um mergulho... Resolvi me atirar de cabeça naquele marzão! Maravilhoso e calmo! O impacto com o gelado da água vibrou meus tímpanos. Tive a impressão de transmitir sinais a todas as direções, profundezas e vidas ao meu redor. Como um, olá! Estou chegando! Tudo está maravilhoso! A natureza é de meu Deus! Águas limpas. Pensei: Seria bom sentir também o cheiro nessa profundidade. Até aqui parecia que eu havia explodido e meu corpo não pesava mais. Maravilhado com a possibilidade de naquele momento ser apenas pensamentos e visões; como a vida é! Apesar das turbas visões parecia que eu controlava minha direção. Mas, a ignorância é indecifrável. É perigosa! O medo dos seres em volta parece real; mas, não há volta num mergulho. Parece que resta a possibilidade de defesa constante. Ledo engano. De repente uma corrente mais quente me convida ao que parecia ser algo mais confortante. Qual o quê! Puxou forte para um corredor sem que eu pudesse me dar conta ou dizer não. Percebi então que forças externas são mais fortes que a minha vontade, mas já era tarde, fui arrastado. Ao longo da corrente meu animo foi se desesperando... A velocidade da correnteza aumentou. A velocidade era tanta que eu não conseguia mais se quer controlar braços e pernas. Entrei em um verdadeiro liquidificador. Raspei o nariz na areia. Senti dor ao bater o peito numa pedra. Senti o gosto amargo do sal em exagero. Sabia que não podia engolir. Esfolei joelhos, braços, mãos e tudo mais... Percebi! Era hora de me levantar. Com muito esforço procurei apoio. Levantei. Esfreguei os olhos. Recuperei a consciência. Que linda imagem. A calma ainda dominava aquele lugar onde eu deixara o meu sossego. Inexplicável o que eu acabara de passar. Descobri: “A natureza não protege a insensatez". Caminhei pela água quente da praia. Ainda tonto forcei meus músculos para certificar que tudo voltara ao que eu era antes. Recobrei os sentidos. Enxuguei o sangue que escorria do nariz e pensei: “A insensatez e as ondas dos mares desconhecidos, também matam...”

Bom feriado a todos!

Lineu Mattos

Exibições: 7

Responder esta

Editora Casa da Poesia

Chegou o Volume 8 da Antologia

 Volume 7 da Antologia!

                VOLUME 6 

    

PARCEIROS

Nas Redes Sociais

                          CLIQUE AQUI

Fotos

  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Acesso ao CHAT da Casa

              Clique Aqui!

Badge

Carregando...

© 2018   Criado por Casa da Poesia*.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

Offline

Vídeo ao vivo