Quando menino, eu costumava deitar nas gramas e ficar contando nuvens. Identificando uma a uma de acordo com as suas caricaturas. Eu dava boas risadas! Compartilhava minhas ideias com as nuvens acompanhando-as até que sumiam no céu azul! Era uma boa brincadeira compartilhar dos significados das nuvens. Depois de toda essa brincadeira acabei sabendo que nesses nossos dias as nuvens passaram a ser um local onde se armazena de tudo um pouco. Que quando não se tem mais onde guardar ideias pode-se jogar tudo lá nas nuvens. Que coisa maluca... Quem diria! Por isso então é que dá para perceber como as nuvens andam tão carregadas. Cá embaixo, está perigoso! Aqui faltam ideias. Sobram lixos. Acho que todo mundo hoje armazena suas vidas no mundo das nuvens... Ao que me consta muitas coisas rolam por lá. Dizem que até dá pra ver as redes e as ideias paralelas aguardando para serem disponibilizadas, roubadas; ou memórias, inteiras, representadas por títulos, fotos, filmes ou simplesmente uma mensagem de amor. Daquelas que os românticos de antigamente deixavam em bilhetes grudados na geladeira ao sair pela manhã, estão por lá. Talvez seja por isso que eu identificava em todas as nuvens que passava um semblante diferente... Tudo já estava por lá... Parece até que é mentira. Mas realmente há um contraste interessante e misterioso por detrás de toda essa moldura moderna dos nossos dias. O céu e as nuvens continuam por lá, mas já não são mais os mesmos. Nem eu... Nem você... Eu às vezes olho para nuvens para ver se enxergo tudo isso; mas confesso: para mim nuvens são nuvens; não vejo nada disso... Às vezes me deparo com conhecidas figuras que voam pelo céu, mas é só. São inatingíveis. Parece mesmo que para ver é preciso acreditar... Vejam os casos que hoje são julgados e acompanhados por todos pela TV. Horas e horas de conversas que até parecem sérias. Magistrados da cultura jurídica impressionam pelas oratórias, até parece sério, até parece necessário compreende-los. Quando convivi nos Bancos da Escola Jurídica as explicações pareciam ser mais sérias; lá, pareciam até que as lições eram verdadeiras, os ensinamentos eram sinceros. Mas depois de alguns anos você vê as coisas que estão nas nuvens e uma Corte reunida e parece que o direito saiu caro. O direito é dito de forma errada. Parece que o barato é dizer o direito sempre sobre o lado mais questionável. Insistir em condições de uso e gozo pessoal até que o direito não seja mais igual ao direito de todos; até que o direito salgue mais a vida dos outros, mas não, a do acusado. Mas é melhor não se deixar abater por isso. É melhor que tudo isso fique nas nuvens. É melhor porque não vale a pena sofrer cá embaixo, por semelhança. Quem sabe em um futuro próximo alguém venha a enxergar tudo isso armazenado nas nuvens e despeje de lá tudo o que de ruim há; e sobre nós, os bálsamos: da liberdade, igualdade e Justiça...

Quem sabe?

Lineu Mattos

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