O Coliseu romano e os Autódromos...

No fim de semana passado tive o privilegio de ser convidado a assistir os treinos classificatórios da Corrida da Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos, aqui em São Paulo. Ao adentrar o Autódromo tive a sensação de uma viagem no tempo. Aliás, como dizem, por ali desfilam heróis. Carros velozes! Mulheres bonitas! Dinheiro e Poder! Pensando nisso divaguei um pouco mais por aquelas arquibancadas... Até onde me cabia enxergar senti o privilegio de estar próximo daquela arena tão admirada e famosa. Muitos comprariam o meu convite para estar ali e naquele momento. Percebe-se então que distância e tempo são essências à percepção, mas não a igualdades. Percepções são comparáveis por diferenças, não por semelhanças. E dai se enxerga no tempo, o que significa disputa. Onde, inexoravelmente, alguém sempre ficará para trás. Não por semelhanças, mas por desigualdades. E o tempo conta isso o tempo todo. Nessa corrida nenhum piloto fará uma volta igual à outra. Todos estão sujeitos ao acaso. Para a torcida, os heróis estão no passado; às vezes no presente. Revelam-se semelhantes, mas não em igualdade. Cada corrida faz a sua história. Nessa divagação lembrei então da história e da arena dos Romanos: O Coliseu. Percebi que ainda nada mudou na natureza humana. Acho que a história da humanidade também conta isso. A natureza humana é continua. O homem se desenvolve, mas não se iguala, não muda. De forma histórica e contínua está sempre disputando uma “pole position”. E parece que será eterna essa disputa. Até que o outro seja destruído. E é assim o que se espera dos outros, nas paradas, nos boxes. Assim como a lenda da Fênix. Destrói-se para se reconstruir, continuamente. Assim tudo parece ter semelhança com a história do Coliseu Romano. Como aqui, lá no Coliseu os espectadores também eram divididos de acordo com a classe social. O "Podium" estava reservado à classe alta. A "Maeniana" era onde ficava a classe média. Os pobres e as mulheres ficavam no "Portici". Aqui, fora do Autódromo. Ah! Havia ainda uma tribuna reservada para a realeza e políticos; esse setor chamava-se "Pulvinar". Na arena, primeiro desfilavam heróis gladiadores... Depois as feras que devorariam os malsinados pela sorte. Aqui, os espectadores são devorados por igual por suas vaidades. Igual ao desfile de “Ferrari” que rodou por aqui, regado de orgulho e ostentação de posse. Elas certamente têm direitos garantidos pelo poder do ingresso. Aos espectadores fica a sensação de que algum dia tal felicidade também será possível. Quem sabe, andar por aquelas pistas. Um direito subjetivo que todos têm: sonhar. A questão é que nem todos são convidados para a festa. E assim a corrida rola e do lado de fora dos muros, quem não pôde entrar, consola-se em ouvir o ronco dos motores, restando-lhes a curiosidade de saber quem ganha e quem perde nessa corrida...

Lineu Mattos
11/11/2017

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Pura verdade, Lineu! Amei!

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