Finalmente chegou o dia da minha estreia como colunista neste espaço onde fico tão à vontade. Depois de leituras deliciosas e enriquecedoras durante a semana, resolvi brindar o nosso fim de semana com uma crônica narrativa. De forma leve e bem-humorada o enredo trata de um assunto sério: o medo da violência que faz muita gente tremer nas bases, e não é para menos diante da realidade que vivenciamos em nosso cotidiano. Vamos nos divertir um pouco, afinal, hoje é sábado!

É tiro!

 

 

Um tiro ecoou no escuro! Acordei assustado deixando no esquecimento a morena com quem dançava numa festa qualquer (afinal, sonho é sonho, o que importa é a morena e não os detalhes da festa). Ouvi sim um barulho forte, e certamente foi um tiro, como aqueles do tiroteio no assalto ao banco que vi ontem na TV antes de dormir. No auge dos meus 16 anos, nunca me vi tão indeciso: não sabia se me escondia debaixo da cama ou dentro do armário. Que vergonha era minha cara e minha tremedeira nas pernas! Ainda bem que eu estava sozinho. Que nada, eu não queria estar sozinho! Meu pensamento gritou o mais alto possível: Eu quero minha mãe!

Foi então que percebi que não deveria ter me recusado a visitar a tia Zilda junto com meus pais em Coité do Nóia lá em Alagoas. Como será que se chama quem nasce em Coité do Nóia? Só pode ser coiteense ou noiado. Pronto, o mundo acabou de ser destruído com um tiro e eu debaixo da cama procurando um adjetivo pátrio para nativos que estavam fora da zona de perigo.

Agucei os ouvidos. Silêncio total. Alguém morreu? Cadê a polícia? Ninguém vai socorrer o defunto? Pensando bem, não faz muita diferença, já morreu mesmo! E se o bandido resolver se esconder justamente aqui? E se fizer de mim, refém? Não! Preciso sair daqui! Sair pela porta de trás que vai dá de frente com a porta da cozinha da casa da Jandira, mulher madura, viúva e abundantemente bonita que toma sol na varanda todos os dias das 8: 15 às 9h em ponto. Necessito do socorro da Jandira! Afinal, tem um bandido prestes a entrar aqui! É justo!

Abri a porta do quarto, tudo escuro. Claro, não acendi a luz, chamaria a atenção do bandido. Caminhando de lado encostado na parede, cheguei na cozinha, liguei a lanterna do celular e vi...

Um copo estraçalhado no chão e meu gato siamês mais assustado do que eu.

Junto com os cacos de vidros foram para o lixo uma grande oportunidade de ser acolhido e protegido pela Jandira.

 

Zezinha Lins

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Respostas a este tópico

Maravilha! Viajei no tiro!

KKKKKKK. Muito bom! A narrativa vai crescendo e o nosso temor também, junto com a personagem. No mundo em que vivemos, quem não tem medo até quando houve aqueles estalinhos das festas juninas? Adorei!
Parabéns, Zezinha! Uma bela estreia!

Que legal. Lineu Carlos a ideia era essa! Bom fim de semana sem sustos. Abraço!

Muito bom, mesmo...uma grande estreia com um texto engraçado e bem escrito. Obrigado por estar conosco em mais essa ação...
Beijo



maria jose zanini tauil disse:

KKKKKKK. Muito bom! A narrativa vai crescendo e o nosso temor também, junto com a personagem. No mundo em que vivemos, quem não tem medo até quando houve aqueles estalinhos das festas juninas? Adorei!
Parabéns, Zezinha! Uma bela estreia!

Grata, minha querida! Beijos!



Renato Baptista disse:

Muito bom, mesmo...uma grande estreia com um texto engraçado e bem escrito. Obrigado por estar conosco em mais essa ação...
Beijo

Eu quem agradeço a oportunidade, Renato. Beijo!

Delicia de texto! Eu nem piscava querendo saber quem atirou e quem teria morrido (risos). Parabéns, ótima estreia!beijos

Parabéns ! rsrs muito divertido ! Adorei o texto de estreia !
Enquanto conseguirmos rir das nossas agruras, teremos salvação !
Bjss Wau

Rsssss
Como o medo faz peripécias agonizantes
Amei o texto
Parabéns!



Maísa Cristina Vibancos (Pupila) disse:

Delicia de texto! Eu nem piscava querendo saber quem atirou e quem teria morrido (risos). Parabéns, ótima estreia!beijos
Que legal! Fico feliz que tenha gostado! Obrigada! Beijos!!!



Jani Brasil disse:

Rsssss
Como o medo faz peripécias agonizantes
Amei o texto
Parabéns!
Verdade, querida! Depois rimos da situação. Beijos!!

Gostei muito! Leve Parabens

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