Já é tarde. Sigo pela rua escura alheia ao movimento dos carros, em estado de suspensão.

A mente numa eterna conversa - alheia ao trânsito, à hora  -  ainda remoi fatos, tarefas, expectativas.

Mas o olhar vislumbra um bruxuleado de luz, numa parede feia, descascada. Vejo janelas abertas, penumbras.

Posso imaginar a vida lá dentro, paredes sem cor, lençóis velhos, luz amarela, calor...

Alguém afasta uma cortina meio rota e espia o mundo – talvez curioso com os ruídos do outro cômodo, onde a janela aberta deixa  à vista dois corpos nus, jovens, alheios, absortos, uma cadência marcada de sons e sensações...

O mundo corre aqui fora mas lá dentro não há tempo. Naquele quarto velho e sem cor só há entrega, gozo e suor . . .

Percebe-se que nada os incomoda, nem a feiura do local. Espanta-me a riqueza daquele momento. Penso comigo na relatividade do tempo, do valor das coisas, de tudo.

E enquanto os carros seguiam lentamente, a vida ia ficando para trás,  dentro daquelas paredes sem cor, luz amarela, calor ...

 

 

                                                                 Waulena d'Oliveira

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Que bela inspiração. Um reflexo do mundo com suas adversidades.

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