Um dia acordou. Não havia sol. Não havia motivo para sair, nada o esperava. Mas estava abafado, precisava de ar.

Perto dali algumas árvores alimentavam passarinhos. Pensou : “como sobrevivem nesta Cidade ?... Tudo tão cinza !...”

Um banho rápido para espantar o enfadonho do humor ; um café preto recém feito, um pão branquinho – dualidades da vida...

Saiu a andar pelas ruas, sem rumo, apenas seguindo o fluxo. Olhava as vitrines ainda fechadas. Não sabia o por quê, mas ansiava por dias chuvosos, certamente mais frescos.

As pessoas pareciam-lhe borrões de tons pastéis, não lhes percebia o semblante – estava encerrado em seus próprios pensamentos.

Numa esquina, sob a marquise, um homem dormia enrolado em jornais. Maltrapilho, sujo. E aquele abandono o fez pensar :  “ como sobrevive nesta Cidade ? Tudo tão cinza !...” 

Percorrera muitas ruas quando percebeu que a manhã ia alta. Precisava voltar. Não fazia sentido perambular mais pelo bairro, sem destino. Precisava achar algo para fazer.

Precisava achar algo. Precisava fazer algo. Precisava... Precisava de um sentido para sua vida.

Foi quando esbarrou numa criança. Assustou-se, porque nesta Cidade tem-se medo das sombras ! Mas olhou a criança e viu grandes olhos e um enorme sorriso. A menina ofereceu-lhe uma florzinha e ele, sem jeito, a guardou. A menina acenou-lhe enquanto ele se afastava.

E  voltando  para  casa  pensou :  “como pode ser feliz ?... Tudo tão cinza !...”

Então, de repente, viu seu rosto refletido numa janela e se assustou. “Cinza sou eu !!!...”

                                                   Waulena d'Oliveira

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