Não havia muito o que fazer naqueles dias. O tempo corria modorrentamente, cinzento; nem parecia primavera – não fosse o cantar dos sabiás todas as tardes...

Cuidar da casa, resolver problemas, atender à família. Sua rotina normal.

Mas naquele dia havia um ânimo diferente que não sabia explicar. Mal rompera o sol a escuridão da noite e ela teve que sair da cama. Simplesmente teve !!

Um café feito na hora, o pão quentinho e um loooongo suspiro. Uma olhada pela janela e soube que precisava de ar fresco – ahh sim ! Hoje era dia de ar fresco !

Buscou uma série de vasos que há tempos comprara, um belo saco de terra bem adubada, uns pacotes de sementes novas.

O jardim não era tão grande assim. Um jardineiro da rua costumava dizer que não se devia plantar e replantar em meses com “r” . Ora, algumas plantas haviam crescido muito não iriam se importar com mais espaço ... rsrs

Brincando com esses pensamentos, conversou com suas meninas apresentando-lhes as novas moradias. Aquela terra cheirava tão bem ! Há quanto tempo não saboreava aquele cheiro !... E era tão bom !...   

Ficou satisfeita com seu trabalho naquele dia. Conseguira harmonizar as plantas e as flores, para que as cores se alternassem – queria um recanto que inspirasse alegria. Nem se dera conta de que o dia se passara. Nem fome sentira. Mas não ficara cansada. Uma estranha e nova energia a possuía.

Então entrou e pôs a chaleira no fogo, enquanto buscava uma cadeira confortável para colocar em meio ao seu jardim  -  não perderia aquele entardecer por nada !

E sentada ali fora, ouvindo a melodia do sabiás, inebriada com o aroma do chá de alecrim, pôs-se a refletir  no que as plantas haviam lhe contado. Que a vida é feita de plantios, de regas. Que às vezes a poda é necessária para que haja crescimento. E que sempre – sempre ! – a boa terra alimentava as sementes, as fazia brotar novamente ...

Naquele poente ela sorriu junto com as suas flores, porque sabia que tornara-se uma mulher adubada pela vida ...

                                                                   Waulena d'Oliveira 

     

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A natureza é tão generosa! Que tenhamos mais tempo para plantar, podar, contemplar e colher!
Um grande abraço, linda!

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