Uma vez escrevi que os subúrbios têm seu tempo próprio. Permanecem protegidos, numa bolha feita de coisas simples, antigas, saudosas ...

Pelas ruas estreitas, pelas quais o trânsito trafega lento, não se vê muito movimento de pessoas. Como se o mundo fosse feito de casas e raros prédios. Com estilos próprios, cores vivas às vezes, elas ficam à espreitar a vida.

Foi quando meu olhar de repente deparou-se com o abandono.

Ali existira duas casas geminadas, onde hoje havia apenas o muro que as separava e uma parede silenciosa. Quanta coisa acontecera ali ? Quantas pessoas haviam sonhado ali ? Famílias reuniram-se à refeição, entre gargalhadas ou não. Crianças nasceram, aprenderam suas primeiras lições. Certamente lágrimas foram vertidas.

Mas agora ... só restos de vida ... Não havia mais telhado a protegê-las e a chuva deve ter ajudado a dissolver o que já havia sido lar ...

Entristeci, de certo modo.

Porém, no canto daqueles muros ainda podia-se ver algum colorido. E esticando-me vi um arbusto com lindas flores vermelhas ! Não era pálido, pelo contrário ! Verdejava ...  

As flores sorriram. Como se quisessem me dizer que apesar de tudo, ali ainda existia vida. Que as risadas que ali se ouviam deviam estar ecoando em outro lugar; que as crianças haviam crescido e construíram novos lares; que o vento soprara todas as lágrimas.

Como se quisessem me dizer que eram guardiãs da vida que ali germinara, à espera de novos tempos...

                                                                       Waulena d'Oliveira

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