Ela era uma jovem como tantas outras. Costumava passar por aquele parque a caminho das aulas, com veredas bem cuidadas, muitas árvores e flores, e até mesmo um lago alimentado por um riacho que não sabia de onde vinha.

Ela nunca tinha tempo de parar ali, mas não raro alguma coisa atraía os seus pensamentos para o bosque. Às vezes pensava ouvir sons, rumores, mas preferia achar que era apenas o sussurro do vento nas folhas.

No entanto, naqueles dias parecia haver mais movimento por lá; talvez a primavera que chegava estivesse despertando pássaros e flores - fazendo despertar de novo a efervescência da vida...

A jovem estava inquieta aquela tarde. Sem qualquer motivo vira no calendário que era dia de lua cheia.  "Por que não parara de pensar nisso ?"  E por que aquele parque não saía da sua lembrança ? Aquela sensação tornava-se imperativa: precisava sair, tomar ar, ver o mundo. Reuniu alguns objetos sem muito pensar e se foi rumo ao parque.

Anoitecia quando ela entrou no bosque, dando vida às sombras com sua lanterna. O silêncio parecia ter feito o tempo parar. A noite prometia surpresas...

Quando ouviu o canto do riacho nos seixos escolheu onde sentar-se para que o céu não ficasse oculto pelas árvores. Não pensava no que fazia, apenas fazia ; como se seu corpo inteiro houvesse feito, incontáveis vezes, aquele ritual ...

Procurou gravetos e os juntou com arte. À volta fez um círculo com as pétalas brancas e amarelas que havia encontrado e espetou na terra várias varetas de sândalo, esperando que o perfume enchesse o ar. Encheu o cálice que trouxera com a água cristalina do riacho. Acendeu o fogo, deixando que ele aquecesse suas mãos - dialogando com as chamas como nunca pensara poder fazer ...  Então pôs-se a cantarolar sons ditados por sua imaginação e a dançar pelo círculo, tornando-se uma com a noite e os elementos...

Naquele momento a jovem transportou-se até a manhã dos tempos quando os elementos comungavam da vida junto com os homens... Tudo em volta ganhou cores e movimento. Ela podia perceber a presença de seres encantados, que respondiam ao seu chamado. O incenso tremulava formando imagens no ar; o riacho murmurava em coro; as chamas crepitavam e estalavam na noite; toda a terra vibrava em festa...

Ali, naquela noite, a jovem não era mais como qualquer outra. Ela aquietou sua dança e sua respiração . Erguendo o cálice, ela entoou um velho chamado e enquanto seu coração parecia pulsar num ritmo próprio, viu a Deusa chegar - surgia por entre as árvores, envolvendo todo o bosque com seu manto prateado, emoldurando um quadro que a jovem jamais esqueceria...

A jovem deixou-se banhar por aquele luar, que percorria seu corpo inundando-a com uma energia poderosa. E ela sentiu-se una com a Terra e todos os seres vivos. A jovem e a Lua eram uma só...

O tempo consumiu as chamas que se tornaram apenas brasas; as varetas e as pétalas confundiam-se agora com a terra. A jovem sorveu aquela água prateada, sentindo sua vida renovada. Era hora de ir.


Naquela noite a jovem tomou o caminho de casa levando consigo um brilho no olhar que antes não existia - o brilho dos Velhos Mistérios...

                                                                          Waulena Oliveira

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WAULENA!

AGRADEÇO-LHE POR DESVENDAR TANTOS E INCONTÁVEIS MISTÉRIOS!

PARABÉNS!



Coluna do Lineu disse:

WAULENA!

AGRADEÇO-LHE POR DESVENDAR TANTOS E INCONTÁVEIS MISTÉRIOS!

PARABÉNS!

Meu Amigo Lineu, há que se ter magia na vida, assim como a poesia !  rsrs

Obrigada !!

Bjsss  Wau

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