Eu tinha uns treze anos quando vi aquela mulher ...

À beira do lago pessoas caminhavam; outras circulavam nos pedalinhos. Aproveitando o sol, eu lia meu livro num banco afastado.

Naquela manhã algo me distraía e as páginas não avançavam como sempre. Prendi meu olhar no nada, vagando pelos muitos verdes à minha volta, pensando em coisa alguma, apenas vagando.

Então vi aquela mulher, na faixa dos trinta e muitos talvez – o que parecia bastante para os meus poucos treze. Ela seguia devagar, o olhar fixo a vigiar. À sua frente, sua vida : um homem seguia com duas crianças.

A mulher não tinha qualquer expressão em seu rosto. O que será que ela pensava naquele momento ?

Eu observei aquela mulher  – aquele homem parecia ser seu universo e as crianças a sua razão de existir . . .

Eu era muito jovem, mas pareceu que minha alma reconhecia aquele sentimento... Por alguns momentos eu fui aquela mulher. Fui todas as mulheres. Como se soubesse ser ela a mulher de um único homem, um homem tão especial que a fizesse querer materializar esse amor através dos filhos dele.

Estranha sensação aquela. A de alguém que se resumia não em si mesma, mas em outrem.

O que levaria uma mulher a existir fora de si mesma ? Que matéria amalgamara aquela mulher ? O que alimentaria seu ser ?

Naquele dia aquela mulher me fez pensar ...

 

            

                                                                      Waulena Oliveira

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Respostas a este tópico

Belíssima crônica,a reflexão de uma mulher especial, sentimentos puros. A cada dia fico encantado.



Rui costa disse:

Belíssima crônica,a reflexão de uma mulher especial, sentimentos puros. A cada dia fico encantado.
Obrigada pelo carinho !!!
Bjss Wau

Comum em nós, mulheres. Saímos de nós mesmas para viver para o outro, seja um homem ou um filho.
Bela reflexão em forma de crônica!
Beijinhos,
Jô Tauil

Você é uma mulher especial... amálgama de tudo que é bom na feminilidade. Bjs irmã



maria jose zanini tauil disse:

Comum em nós, mulheres. Saímos de nós mesmas para viver para o outro, seja um homem ou um filho.
Bela reflexão em forma de crônica!
Beijinhos,
Jô Tauil

Obrigada, Maria José.

Talvez essa seja mesmo uma faceta do "ser feminino" ...

Bjsss Wau



Zoe de Mello Siqueira disse:

Você é uma mulher especial... amálgama de tudo que é bom na feminilidade. Bjs irmã

Puxa, emocionou ...

Obrigada querida Zoê !

Bjsss Wau

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