Essa semana lançou-se uma nova polêmica. A exposição de arte contemporânea do Queermuseu: exposição polêmica do Banco Santander. Diante de tantos comentários calorosos, resolvi olhar as obras virtualmente. Não, não me chocou, mas me provocou reflexões. Esse é o objetivo da arte contemporânea, mexer com as emoções de quem a visitar, provocar, causar um grande e forte impacto com cenas que sim, acontecem no dia a dia, mas que é repudiado. Não, arte não é apologia, não é concordância, não é um manual d que você deve fazer na tua vida.
É justamente o contrário. É trazer à tona aquilo que se nega, que se varre para baixo do tapete, aquilo que é talvez não seja punido devidamente porque é tabu. O que não é falado não é discutido e avaliado.
A intenção é mexer com as pessoas, é trazer a superfície o que está nas profundezas. O termo “criança viada” é um termo popular entre a comunidade LGBT. Não é ofensa. Muito pelo contrário. Posso dizer que é um dialeto de grupo. Ninguém que está a frente de uma obra que retrata zoofilia ou pedofilia sai de uma exposição e imita a arte. Se alguém o fizer está gravemente adoecido, sugiro ajuda especializada. Não, a arte não induz uma pessoa a fazer o que já não está dentro dele. Por isso não me incomoda em nada. Porque eu sei que trata-se da realidade abafada, que precisa ser discutida pela sociedade para que haja solução. Não se ajusta nada que é assunto proibido e incubado. É preciso levantar a questão, e maneira melhor do que uma exposição de arte?
Pensem fora da caixa, deixem essas limitações dentro de um baú, elas não servem para nada! Enquanto há uma movimentação maciça para a censura e o boicote da exposição, crimes de verdade estão acontecendo nas casas das pessoas, crianças então mesmo sendo abusadas, animais estão sendo violados na sua natureza, a religião mais mata por preconceito que ama ou protege seres humanos e eu não falo de uma religião, mas todas, as 5000 catalogadas e conhecidas no mundo.
Não sejam limitados e hipócritas. Esse discurso apenas mostra a força que você faz para parecer correto, uma pessoa de conduta ilibada. A arte vai mexer com o teu conteúdo inconsciente e quanto mais você se rebelar contra ela, com toda tua paixão, pra mim como psicanalista, diz justamente o contrario sobre teu discurso. Ele pode colar pra massa disfuncional, para quem analisa profundamente, não.
Se o termo "Criança viada" ou "Criança travesti da lambada" que estão no corpo da arte não é ofensa para o grupo que as representa por que seria para quem não está inserido no contexto? Ser gay então é imoral? Sexo grupal, homossexualidade, zoofilia (muito comum no nordeste do país), leitura diferenciada e praticar de religião seja ela qual for, não é ofensa, é apenas uma leitura de quem acredita ou não. Somos livres para acreditar ou não e não acreditar não é falta de respeito. Artistas de outros séculos já pintavam retratos de símbolos cristãos ao modo que eles entendiam.
A arte é subjetiva, tanto para o artista quanto para o espectador. Você não tem que concordar com a arte, nem achar o que é belo apenas o que se encaixa no teu conceito de beleza. A arte não está para te agradar, ou para você aprovar, ela é arte por si, é expressão e como toda, há de ser livre. Viva e deixe viver. Penso que estamos caminhando de volta para a época da inquisição. Onde não se pode não acreditar ou criticar. Sim, a crítica faz parte.
Se houve uma falha, talvez na limitação de idade para visitar a exposição, bastaria colocar um limite de idade. Não usar dinheiro publico para patrocinar, afinal, o povo deveria decidir a destinação do dinheiro. E quem sabem misturar muitos temas a ponto de fazer uma confusão entre os assuntos.
O crente, aquele que crê, não deveria ficar ofendido se ele crê. Porém o que eu percebo é que uma exposição como essa mexe com as crenças no sentido de que – será que é tão crente assim? Bem, fica a minha reflexão. O nome disso é censura e pior, elas vem dos moralistas, que são justamente os que tem mais a esconder.

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Respostas a este tópico

Que esplêndida reflexão!
Gostei muito!
Um abraço,



maria jose zanini tauil disse:

Que esplêndida reflexão!
Gostei muito!
Um abraço,


Obrigada, Jô!!!! :)

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