Corri atrás de mim, eu estava fugindo, mas era eu mesma. Num despertar de consciência. Passava noites acordada com medo de não acordar mais. Talvez se eu mesma me vigiasse, não poderia me perder de mim. Estava cansada de estar cansada de estar cansada.
Diagnósticos de Google, procurando respostas no YouTube. Meus olhos viviam arregalados, com medo, medo de mim. Fiz o avesso do que Nietzsche aconselha, encarei o abismo, logo ele me encarou também. - Não era mais eu. Era eu. Ainda assim não era mais. Um poema rabiscado na parede dizia: “ E de tudo do teu mundo irei orbitar”. Que mundo? Meu mundo era eu e já não exista eu. Noite indo e vindo, o sol nem via mais. Estava exausta. Noites mal dormidas, mente mal dormida. O olhar perdido, a alma confusa. Processo de autolimpeza. Doi, leva tempo. Passei por mim mesma, não gostei do que vi. Já não morro mais em vida, eu aprendi. Momentos difíceis são como rascunho. É um poema na parede. É um verso que faz sentido – “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você. ”

O abismo é voce, o abismo sou eu. So encare se não tiver medo da altura.

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Respostas a este tópico

Que incrível esse texto...Um brinde à inteligência e à observação do eu absoluto. É assim que se fala???
Excelente!

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