Caderno da Magoa

Envelhecer é um privilégio, mas só entendemos isso se tivemos essa oportunidade. O que eu temia era na verdade, um grande presente. Mas somos ignorantes até chegarmos até aqui. É fato!
Esses dias eu estava revisitando meu passado e me deparei com um sentimento estranho, totalmente novo e não soube lidar no momento. Pessoas as quais eu julguei que me fizeram algum tipo de mal já não sinto mais nada de ruim, nem mágoa, nem rancor, nem pesar, nem ao menos tristeza. Sinto gratidão. Sim! Gratidão.
Lembre-me que algum tempo atrás eu tinha um caderno que intitulava de “caderno da magoa”, que consistia em anotar o nome de uma pessoa e tudo que eu achava que ela tinha feito de ruim para mim. Por que eu anotava? Porque eu tinha medo de esquecer. Tinha medo de ser boa, de perdoar e assim passar quem sabe, por tola.
Então eu anotava, enumerava, detalhava e escondia no armário entre minhas malhas de inverno. Eu protegia minhas magoas e cuidava muito bem delas.
Quando eu achava que estava leve demais e esquecendo as coisas, eu ia lá e lia todo o caderno para me lembrar de tudo aquilo.
Fiz isso por anos... e achava que estava certa. Agora eu vejo essa cena e dou risada, como eu era infantil e imatura. Magoas, traumas e tristezas não se anotam em cadernos e eu entendi o porquê. Não temos o hábito de olhar sob a perspectiva do outro, apenas a nossa e assim, estaremos sempre certos e sendo vítimas de tudo e da vida.
O que eu fui não me veste mais. Mas precisei passar por essa fase para chegar aqui então não me arrependo, apenas aprendo com isso e sou agradecida pelo ensinamento.
Se certo ou errado, é uma questão de opinião. Erros, equívocos e imaturidades são mestres, são guias de evolução. Me permito, faço é rir.
Quando a gente se enche de raiva e rancor não temos espaço para cultivar bons sentimentos e quando o tempo apaga e leva para terra do esquecimento, nada nos resta, fica um vazio, afinal, não plantamos nada de produtivo.
Olhar para trás e não sentir raiva e nem magoa me deu esse sentimento, de algo novo e estranho, mas bom.
Hoje eu posso até anotar alguma coisa, mas faço numa areia, no dia seguinte o vento apagou.

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