Chegar ao topo não é felicidade, mas sim a trajetória, o topo é a missão, mas o caminho é a vida.

Compreendi isso ao longo dessa experiência. O caminho ao alvo, sim. O gato da Alice diz que se você não sabe para onde vai qualquer caminho é caminho, é só seguir uma estrada e ela dará em algum lugar. Já John Lennon diz que a vida é aquilo que acontece enquanto você está apenas sonhando e eu concordo com os dois, o gato e Lennon.

Completei quarenta anos e quando tinha vinte, achava que uma pessoa de quarenta era uma pessoa velha.

Mas afinal, o que é ser velho? Conheço velhos de vinte anos, jovens de 80! Com trinta e cinco comecei a sofrer, fiz analise, tinha medo do número. O julgamento não era alheio, era meu. Não existe nada pior que o próprio julgamento. O dia chegou, o relógio indicou meia noite, olhei no espelho achando que eu ia me tornar a Dona Florinda com rugas e bobs na cabeça. Nada aconteceu. Pronto, cheguei no temido número, quarenta. Para a minha surpresa, eu ainda era eu, nada aconteceu, eu ri. Achei graça mesmo!

Graça de como somos tolos, como acreditamos nos números, como acreditamos naquela “velha opinião formada sobre tudo” - peço licença ao poeta. Tive vontade de voltar há vinte anos atrás no meu quarto com os requisitos de um adolescente problema e dizer que ela chegaria lá de muitas formas, e não seria uma velha, me pouparia muita angustia e preconceito. Afinal, quanto sofrimento nos impomos tolamente?
Chegar aos quarenta foi como ter a desejada mansão da Barbie achando que ela me cabia dentro, pois na minha fantasia ela era realmente uma mansão bem alta, quando finalmente ganhei e abri a caixa me frustrei, o topo batia em meus joelhos. Sofri desejando ela, não era nada demais. Sofri achando que seria velha, compreendi que o tempo corre ao nosso favor e não ao contrário. Hoje, aos quarenta, sou bonita e sou bonita de muitas formas. Não foi nada demais. O caminho que percorri eu fiz tortuoso, afinal, só saberia quando chegasse até aqui. Cheguei! Tá tudo bem, tá tudo ótimo.

Compreendi que nesta vida ficamos mais inteligentes conforme as experiências vividas e elas quererem os nossos anos, há de se haver uma troca, é junto! A pele muda, o cabelo muda, a aparência muda, mas ficamos incríveis de qualquer forma e mais ainda, estamos mais sábios. É uma jogadinha interessante da vida. Acho tudo muito curioso e penso que, depois voltaremos a ser crianças, pois o mundo lúdico e sábio das crianças nos salvam do que acreditamos ser a morte, porque pra mim aqui é a morte. Viva os quarenta!

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E um Viva para todas as idades e para todas as experiências que nos tornam belos (as) a cada dia!!! Passar pelos números pode, por vezes, nos parecer o final da linha, principalmente quando esses números nos mostram que estamos, de uma forma sábia, ficando diferentes "por fora". No entanto, "por dentro", a despeito das experiências pelas quais passamos, tudo fica intacto e isso, com certeza, depende da forma como queremos encarar tudo isso. Neuras até que são bem vindas. Elas nos fazem refletir a respeito do verdadeiro significado da VIDA! Adorei o seu texto!! Delícia de leitura!!! Parabéns!!! Beijos.

Viva os quarenta, os cinquenta e que venham muitos anos de aprendizado. Precisamos é dar as mãos ao tempo e caminhar junto com ele, tem muito para nos ensinar! Belo texto. Beijo!!

Adorei! Experimentar cada ano com sabor de novo é o que realmente importa. Muito significativo seu texto. Beijos poéticos

Que maraviilha, abri meus olhos nesse momento; elevar meus pensamentos ao Criador; agradecer por minha dormida e pedir para Ele direcionar o meu dia. E eis que em instante venho aqui e me deleito na leitura deste texto que com certeza duvidiu o peso de minha idade, pois dia 21 de março Taolá cheguei aos 58.
O medo queu tinha da idade desabou com seu texto. E encerro dizendo: "quando eu tinha 20 anos tinha receio de chegar aos 40 hoje cvoltarnão queri quero voltar aos aos 20. Bons momentos Taolá.

Ah, amiga! Também já tive medo do número!
(...)"o mundo lúdico e sábio das crianças nos salvam do que acreditamos ser a morte",(...) verdade!Já pensou que sofrimento ter consciência de que estamos no fim?
Gostei muito! São indagações que me perseguem e que você supera "numa boa".
Um grande abraço!
mjztauil

Viva o Tempo e a Vida, que nos conduzem por todas essas experiências, nos deixam chorar e rir, entender, querer mais e mais ...
Um viva à Autora,que ultrapassou os números para chegar ao conhecimento de si.
Parabéns !!
Bjss Wau

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