ÚTERO

Vou lavar a louça. Vou passar café.
Molhar as plantas da minha casa.
Estender o lençol.
Quem sabe descascar uma cebola para disfarçar facilmente uma lagrima de saudade.
Da mãe, da filha, da irmã. Da menina que mora em mim.
Vou passar batom, vestir meu melhor sorriso e viver.
Quem sabe vou ganhar flores. Receber notícias de afetos: Parabéns pelo dia da mulher ...
Há sempre um verbo esperançar para conjugar.
Tomar água, comer maça. Caminhar na praia e agradecer.
Quem sabe pagar um boleto, cuidar de uma mãe, acalentar um filho.
Varrer a casa e varrer angustias e medos (sim, os tenho).
Vou escrever uns versos, vou ler um pouco.
Fazer as compras da casa
Hoje, reforço, não aceito o desrespeito ao feminino. Serei sempre uma insatisfeita com a falta de amor.
Serei com permissão, sempre uma voz através da poesia.
Vou elevar uma prece, com a benção da mãe terra e da mãe do céu, para que o feminicídio não seja mais noticia, porque de vez foi erradicado.
Sim, sou mulher. Sou voz, sou poeta.
Mas só por hoje eu queria mesmo, visitar o útero da minha genitora e lá ficar quietinha e quentinha, no silencio do desconhecido.
Desta imensidão, sentir a sincronicidades das batidas dos nossos corações.

Honrando toda a possibilidade de criação
By MLK 08/03/2019

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