Tem uma cueca no meu banheiro! (historias de Marias)

Há muito moro só. Recebo visitas é verdade. Também masculinas, incluindo aí os filhos adultos.
Levei à bom termo um belo casamento em que cada qual morava numa casa, até um dia em que o termo virou término.
Considero-me uma pessoa generosa. Sou facilmente seduzida pelas causas das minorias, dos que entendo injustiçados e principalmente pelos que dormem sem cobertor no inverno. Os que têm fome de justiça, saúde e pão. Costumo virar bicho furioso quando me deparo com estas situações, ou melhor, quando me dou conta do sono tranqüilo das autoridades responsáveis tão irresponsáveis.
Mas daí à ter uma cueca preta pendurada no meu banheiro? Não lembro de que alguém do gênero masculino tenha me pedido licença.
Odeio qualquer modelito do tipo “cueca” pendurado na janela do banheiro. Aliás, detesto cueca preta.
Então alguém pode me explicar o que está acontecendo? Claro, ainda não acordei direito. Esta mania insólita de sestear depois do almoço que me acompanha desde a adolescência. Deve ser uma alucinação!
Calma Maria! Falei a mim mesma. Lave o rosto e observe melhor. Lavar o rosto? Mas meu banheiro está interditado pelas reformas que ando fazendo nesta casa. Devo usar o lavabo.
Será que estou enlouquecendo então? Cueca no banheiro interditado?
Chamo a diarista, explico a ela quase aos prantos que estou tendo alucinações, melhor chamar um médico. Veja se estou febril? Minha pressão como estará? Será que o alemão Alzeimer me pediu em namoro?
A cueca dona Maria? Deve ser do pedreiro, tadinho, que foi tomar banho no seu banheiro.
Socorro! Chama a polícia ao invés do médico, ordenei!
Comecei a esbravejar como um touro bravio, andando pela casa e gritando insanidades ao sujeito que ousou invadir o meu banheiro!
Mais assustado do que outra coisa o dito sai do banheiro arrancando do “varal “ a cueca preta.
Roxo de culpa e vergonha vai pedindo desculpas, dizendo que estava com muito calor e não viu mal nenhum em se refrescar no “meu” banheiro, que ele estava reformando.
Perdi o juízo, esqueci minhas lutas pelos direitos das minorias, e coloquei a criatura porta afora da minha casa.
Tomar banho no meu banheiro, sem minha autorização, quiçá poderia até entender.
Mas cueca preta pendurada na janela, JAMAIS, JAMAIS!

by MLK

Exibições: 43

Responder esta

Editora Casa da Poesia

Chegou o

Volume 9 da Antologia 

Volume 8 da Antologia

 Volume 7 

                VOLUME 6 

    

PARCEIROS

Nas Redes Sociais

                          CLIQUE AQUI

Fotos

  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Aniversários

Aniversários de Hoje

Aniversários de Amanhã

Acesso ao CHAT da Casa

              Clique Aqui!

© 2019   Criado por Casa da Poesia*.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço