NINHO

Costumávamos nos aconchegar numa cama que parecia ser enorme para nós.
A colcha parecia ser de fina renda, os lençóis de fios de algodão de muitas gramaturas.
O cheiro era de limpo, banho tomado e tudo novo.
Neste ninho aprendi letras, juntei as cores e talvez meu amor pelas palavras.
As viagens neste pedacinho de latifúndio eram grandiosas.
Historinhas do Chapeuzinho Vermelho me punham sempre em alerta sobre os perigos do mundo. E lembravam o quanto era importante ser boazinha.
Mas a historia que eu realmente adorava ouvir repetidamente era de Ali Babá e os 40 ladrões.
Parecia que a minha imaginação visitava aqueles lugares luxuosos cheios de prazer, abundancia, luxuria e encantamento. De ouro eram feitos meus sonhos.
O desencanto sempre vinha no final, quando percebia que a ganancia era grande e assim nada se ganha.
Pai, por favor conta de novo?
Quero um outro final. Onde o ouro possa ser distribuído de forma justa e não como fruto de roubo.
Quero um final de mais solidariedade, sem desamor. Honestidade total. Crédito ao ser humano.
Final que represente que nada precisamos acumular. Usufruir é a ação. Compartilhar. Amar.
Saudade daquele ninho, que nem era tão grande, nem tinha colcha e os lenções eram muito rústicos.
Saudade das poucas histórias que ele sabia contar, mas contou.

BY MLK 23/8/2018

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