Eu e ela

Quando foi mesmo que selamos nosso pacto feminino?
Também pouco importa agora.
Nasci filha. Você nasceu mãe. Ambos primogênitas nesta experiência.
Você generosamente me emprestou seu útero para que eu fosse gerada.
Você rendinhas, vestidinhos e eu quietinha, com certeza cheia de versinhos na cabeça.
Intuitivamente, nos seus limites você me preparando para ser mulher.
Houveram feridas ao longo da caminhada. Minhas e suas, eu sei.
A menina ferida, precisa se curar. A mulher adulta que me entende e pega a menina pela mão, tenta convence-la que há tantos elixires para isso. Mas a menina segue meio teimosa sabe?
Aos 60 anos a menina revive uma ferida chorosa e que segue sangrando.
Por que me abandonaste sem ao menos me avisar da sua partida? (Como se a partida fosse anunciada com hora marcada!)
Agora nunca mais me chamarás de filhinha e nem dirás que me ama... nem vou ouvir seus queixumes do cotidiano e tentar trazer para você o positivo da vida, quando mais me tornei mãe da mãe, na inversão inexorável dos papéis.
A dor é visceral. Sem mãe, sem chão. Cadê minhas raízes?
Onde estão escondidas que as procuro em cada planta?
Choro o seu abandono. Choro por aquilo que deixei de fazer. Será que ajudei a passar a pomada certa na suas feridas?
Hoje, eu aprendiz de ter doado filhos ao mundo, sigo a saga de me sentir abandonada. Pego a menina pela mão novamente e digo a ela: Seus filhos são filhos do Universo. Precisam apenas a semente de suas asas. Os ciclos se repetem.
Assim na terra como no céu.
E de braços com a mãe, eu e ela, mantemos a simbologia do elo eterno.
Lembro quando, fui discretamente a uma joalheria da pequena cidade em que moravamos, com o resultado dos meus primeiros salários comprei a pulseira que a mãe queria!
Meus filhinhos pendurados,(nos pingentes) era seu pedido. Aqui estão! Usou para sempre o bracelete.
Quando despediu-se da vida terrena, na mesinha de cabeceira, ficaram relógio, a pulseira e outras cositas.
O bracelete voltou para o meu braço, até o dia que for habitar outros planos, quiçá reencontrá-la!
Simbologia de elo de amor. De jeito que nos coube nesta vida.

amor para sempre

By MLK. Homenagem para a Flavia, minha mãe. maio/2018

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