Ela e a Solidão

Só uma nuvem no céu. Parecia brincadeira do dia. Ademais, o azul infinito. Um desenho qualquer à sua escolha: Pássaro, montanha, um sentir evaporado!
Um lago, espelho profundo de emoções. Na água, um manso balanço, um bulício. Imagens difusas.
A sabedoria da árvore no silêncio de sua generosidade de cor e sombra. Ela, atenta ao quero-quero a proteger sua cria ainda tão frágil e atenta a sua própria tempestade interior.
O ser humano, este bicho estranho obedece servilmente ao relógio biológico programado para horários de refeições e o parque vai ficando vazio. Já passa um pouco do meio dia.
Dissipam-se no ar os sons misturados de muitas vozes que há pouco desfilavam em folguedos de domingo, vestidos de muitos jeitos e tamanhos.
Ela, a sentir o vento nas costas e no pescoço, experimenta pequenos arrepios e sutis gotículas de prazer.
Há pombas também. Parecem sempre famintas, assim como os homens.
É bem verdade que o sol não está no melhor do seu humor, mas sentir o êxtase dos pés roçando a relva verdinha e fresca e uma boa sombra, a ventania da alma brincando de esconde-esconde no imenso espaço do parque, quieto e modorrento do meio dia, perpassam um sentir de inserção.
No seu rosto, sabia, uma disfarçada serenidade bordava suaves rugas de meia idade.
No corpo, a vestir-lhe, uma leve blusa de algodão, um velho short amassado. Nos pés, a liberdade do chão.
Sem domínios, sem amarras, sem servir a nenhum senhor, o pensamento vai perigosamente pegando o gosto pela solidão.

by MLK 2018

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