da série MARIAS

Pacto velado

De um pacto velado era feita aquela união.
Ela se arrumava todo o dia como se fosse a uma recepção.
Carro na garagem, filho no colégio, compras para a casa. Shopping e cabeleireiro.
Ver o box do banheiro, chamar o carpinteiro, arrumar a cortina, e cair em armadilha.
Armadilha?
Quando sentia os grilhões lhe apertando os sapatos, chorava, rezava às vezes, e, em outras, sonhava. Mas os sapatos, ah os sapatos, ela podia trocá-los, havia sempre espaço no cartão de crédito dele.
Por vezes, ela lhe fazia pequenas surpresas, sexuais inclusive. Mas ele costumava chegar sempre muito tarde.
Jantares com clientes, jogo com os amigos para descontrair, pequenas viagens. Se a secretária dele era bonita? Não saberia dizer.
Quando tudo estava se tornando morno como uma tarde de sábado preguiçosa, ele estacionava um carro novo na garagem. Era para ela.
Uma noitada boa. Abriam um vinho tinto e falavam coisas de amor.
Sobrevida.
E ela, quando sentava na frente da terapeuta dizia:
Por favor, não me contem nada! Eu não quero saber!
Ele é meu marido e ponto final!

by MLK 2018

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Muito bom, amiga!! Beijinhos!!!

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