COLUNA DA MARIA LUIZA 115 – DA SERIE POETAS – ADELIA PRADO

Esta poetisa ainda viva, nascida em Divinópolis, Minas Gerais hoje tem 85 anos. Publicou seu primeiro livro aos 40 anos. Por formação é professora.
“Apadrinhada” por Carlos Drumonnd de Andrade, que recebeu seus versos através de outro lindo Affonso Romano de Santana, começou a ser reconhecida como uma escritora que traz o cotidiano coloquial de forma lírica, enaltecendo os diversos papeis da mulher.
Os dados sobre Adelia Prado estão disponíveis na web. Lembro, o que gosto de trazer aos leitores é o meu encontro com a sua poesia.
Numa fase que sofregamente quis conhecer um pouco mais sobre poetas e poesia de autores e autoras brasileiras, especialmente as atuais, me deparei com Adelia Prado.
O que mais me intrigou ao conhecer sua poética foi um poema chamado “casamento”.
Estava numa fase de ressignificação de vida. Sozinha criando três filhos. Sendo mãe, pai e provedora e vem ela com aquele poema CASAMENTO, limpando peixes de madrugada, numa serenidade e silencio de cumplices, como um soco no estomago.
Pensei: não pode ser só isso. Nem só isso meu, nem só isso seu poema.
Novamente reflito: O PODER DA POESIA É ÚNICO.
Na verdade, ela traz muitos papeis da mulher na sua produção literária. Do cotidiano rotineiro à luta do diverso. Do lirismo ao trabalho. Do papel de mãe ao de filósofa e escritora.
Não é à toa que é laureada com vários prêmios e tão reconhecida. Referenciada por Rubens Alves, Mia Couto e outros.
Antes de passar à degustação, uma delcaração recente dela, que achei válida compartilhar:
Segundo ela, é uma lição que tirou de Guimarães Rosa. "É preciso cortar, o poema vem cheio de gorduras e impurezas, mas isso nao é arte, é uma coisa bruta. Eu acho que a gente tem que lapidar a obra".

Degustem:
Casamento (Adelia Prado)
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

By MLK 31/01/2020

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