O Concretismo, poesia de vanguarda que se firmou na década de 60, mereceu a atenção de Bandeira. Palavras soltas, sonoridade, visualização. Eis uma experiências concretistas de Bandeira:

O que mais chama atenção:

a utilização de palavras parecidas entre si, ou seja, um recurso estilístico sonoro cujo nome

É PARONOMÁSIA: onda, anda, aonde, ainda.

A palavra que serve de base às variações sonoras é “onda”, que dá título ao poema.

Manuel Bandeira, por meio do emprego das figuras de linguagem: paronomásia, anáfora, a combinação de um pequeno repertório vocabular e a disposição das palavras no papel, sugere o movimento da onda. As palavras do poema descrevem uma sonoridade arredondada, que provoca uma espécie de letargia, de embriaguez. Como se não bastasse todo esse poder de sugestão, ainda, pode-se acrescentar:

A LEITURA EM VOZ ALTA DO POEMA ACARRETA A SENSAÇÃO DE ESTAR RECITANDO UM MANTRA, UMA ESPÉCIE DE LADAINHA.

Ao optar por este tipo de construção o autor viabilizou a fluidez sonora, por isso os vocábulos perdem a sua singularidade e se assemelham cada vez mais.

Mesmo comprometendo a regência verbal – a construção “ aonde anda a onda?” talvez cause estranheza . Não se deveria perguntar “ para onde anda a onda?” Com certeza, pois essa seria a forma mais correta de acordo com o ponto de vista gramatical. Entretanto, a presença da preposição para quebraria a fluidez sonora e a semelhança entre as palavras que compõem o poema.

O conhecimento, a intencionalidade e a sensibilidade de Bandeira não permitiram a quebra da musicalidade do poema em nome da obediência à regra gramatical. A utilização da preposição PARA seria um corpo completamente estranho nesse poema que possui apenas o_ND como consoantes, aliás, presentes em todas as palavras, tornando, é claro, sua musicalidade ainda mais forte. Se a consoante é escassa, logo abundância de vogais, que são mais leves e mais fluidas, atendendo, portanto, ao propósito do autor, já que elas servem melhor para exprimir as flutuações do mar, o ritmo das águas.

Deve-se, portanto, celebrar a genialidade de Manuel Bandeira. Por que incorporar à sua produção duas consoantes P e R? Se elas têm o poder de quebrar a musicalidade de um poema tão líquido!

O escritor sofreu com a tuberculose por muitos anos de sua vida, apresentando o sofrimento e a angústia da doença em várias obras literárias. Como sua criação foi extensa, Bandeira passa por períodos distintos e retrata nos poemas tempos de nostalgia, de busca por alegria para viver e de solidão. Por sua importante atuação na literatura, Manuel Bandeira foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1940, ocupou a cadeira nº 24.

Nascimento: 19 de abril de 1886, Recife, Pernambuco

Falecimento: 13 de outubro de 1968, Botafogo, Rio de Janeiro

Formação: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Foi professor de literatura no Colégio Pedro II.

Exibições: 31

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