A conjugação verbal do modo imperativo, no português moderno, às vezes, incomoda quem conhece a gramática tradicional, principalmente quanto se trata do uso de tu e você.



Lê ou leia? Você quer saber bem o assunto, então leia este livro. Usou o tratamento você (3.ª pessoa) e o verbo ler ficou leia (3.ª pessoa do modo imperativo). Houve uniformidade de tratamento.
Tu queres saber o assunto, então lê este livro. Usou o tratamento tu (2.ª pessoa) e o verbo ler ficou lê (2.ª pessoa do modo imperativo). Houve uniformidade de tratamento.


Você quer saber bem o assunto, então lê este livro. Usou o tratamento você (3.ª pessoa) e o verbo ler ficou lê (2.ª pessoa, tu). Não houve uniformidade de tratamento. Isso não é tolerado pela gramática tradicional.

Embora tu e você se refiram à segunda pessoa do discurso, tu pertence à 2.ª e você pertence à 3.ª pessoa gramatical, exigindo as formas verbais e os pronomes respectivos.

O rumo evolutivo da língua aponta a supremacia absoluta do você e a retirada de cena de tu. A conjugação verbal se reduzirá a quatro pessoas: eu, ele, você; nós, eles, vocês.

Eu prefiro usar em poesia o “tu” porque o “teu/tua” são claros. O você pede “sua/seu”, que muitas vezes causam ambiguidade. (dupla interpretação)


“O presidente disse ao parlamentar que o seu esforço levaria à aprovação da emenda.”

Esforço de quem? Do presidente ou do parlamentar?
Em alguns casos, a solução desse problema é a substituição do seu/sua por dele/dela.

“O presidente disse ao parlamentar que o esforço dele levaria à aprovação da emenda.”

(dele quem? Do presidente ou do parlamentar?)


Alguns advogam a repetição do substantivo após o "dele", entre parênteses, para resolver o problema:


“O presidente disse ao parlamentar que o esforço dele,(presidente)) levaria à aprovação da emenda”


A meu ver, essa saída pode ser boa para a compreensão, mas é péssima para o estilo. O ideal mesmo é mudar a redação.

“O presidente disse ao parlamentar: meu esforço deve levar à aprovação da emenda.”


O Português de Portugal é mais fiel à tradição e muitas das mudanças da Reforma Ortográfica foram rejeitadas por eles.
Os belenenses usam o Tu com o verbo correspondente, como Portugal.

VERBO DE ORDEM
Para fazer um convite, uma exortação, ou dar uma ordem usa-se o imperativo, mas no português moderno misturam-se imperativo e subjuntivo.



Veja a antiga propaganda da Caixa Econômica Federal "Vem pra Caixa você também!". Vem é o tu do imperativo. Para haver uniformidade, deveria ser "Venha pra Caixa você também!"
Imperativo afirmativo: (não há 1.ª pessoa do singular), vem tu, venha você, venhamos nós, vinde vós, venham vocês.

VOCÊ quer um desconto? FAÇA um 21. (e não faz)

Daí a frase "Ou você se atualiza ou a concorrência te engole..." ser legítima no português popular e no apelo publicitário, mas afronta a gramática tradicional.

O uso da gramática tradicional:
Presente do indic:venho/vens/ vimos /vindes/vêm
Presente do sub: venha/venhas/venha/venhamos/venhais/venham


O imperativo afirmativo não tem primeira pessoa . O TU E VÓS são formados das segundas pessoas do presente do indicativo, tirando o “s” . As demais pessoas são idênticas às do presente do subjuntivo. (VEM /VINDE) (VENHA, VENHAMOS,VENHAM) TERCEIRA PESSOA : igual ao presente do subjuntivo. Também as demais pessoas. (VENHA)


Vem, por favor! Quero beijar tuas mãos! ( Segunda pessoa)
Venha, por favor! Quero beijar suas mãos! (Terceira Pessoa)


O verbo SER, por ter irregularidade intensa, (anômalo) é exceção à regra. As segundas pessoas (SÊ/ SEDE). As demais, como o presente do subj.
A terceira pessoa: (SEJA) sejamos, sejais sejam.


EM MÚSICA:
( nesses casos,não gosto de falar em erro. Prefiro vício de linguagem, quando está claro que não é licença poética)

“Mas você não mereceu o amor que eu te dei ....” (fragmento) (lhe)
( Quando // Roberto e Erasmo)
Voce tem gosto de quero mais(...)Contigo vou pra qualquer lugar
(Banda Calypso) (Com você)

“Eu sou teu mundo, sou teu poder...Sou tua vida, sou meu eu em você
(Paula Fernandes)
(pode ser uma licença poética. Ficaria estranho “eu em ti”).


O uso da língua pode ser dividido em duas modalidades:

1-A modalidade formal é usada na escrita, e é fundamentada nas regras da gramática, com um elevado grau de rigor.


2-A vertente coloquial é relativa à parte oral de uma língua, onde a rigidez é menor, há uma maior liberdade em relação às regras da gramática, no entanto, essas normas não podem ser transgredidas acintosamente.
Na linguagem falada, há misturas das duas conjugações, gramaticalmente incorretas, mas linguísticamente aceitávels. Por isso, por exemplo, alguns moradores do sul do país utilizam a forma “tu” mas conjugam o verbo na forma você.

“Guria, tu não vai sair hoje?”

Quando se usa tu: os pronomes te, ti, contigo, teu.tua, etc.
Quando se usa você, senhor, Excelência: os pronomes o, a, lhe,seu,etc.

Saber falar e escrever de acordo com a norma culta de uma língua é uma competência bastante valorizada no mercado de trabalho, sendo que o domínio desta norma possibilita o indivíduo a comunicar-se de uma maneira culta e respeitosa, com precisão e eficiência.



Beijinhosssssssssssssss,
Jô Tauil

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Respostas a este tópico

Expressar-se de acordo com a norma culta realmente é uma competência valorizada mas também complexa, por isso acredito que é importante estar atentos também as variações que a nossa língua oferece como: a histórica, a regional e a social.

Parabéns, querida Jô!

Pois é... uma aula verdadeira... e erro é o que não falta por aí. No caso da Nossa Caixa, como publicitário, digo que houve uma inversão na ordem das coisas.... "Vem pra Caixa você tambémmmmm"... lembra do jingle?, Se fosse "Venha" ficava sem sonoridade nenhuma... então houve a licença poética na letra (o que é normal em música, principalmente nas do Roberto Carlos)... aí, aproveitaram o gancho para usar a frase como chave da campanha.... também é normal isso.
Uma das coisa que mais me chama a atenção na escrita e suas concordañcias verbais é o grande erro que canasam de postar quando se trata do infinitivo do verbo... as pessoas falam, por exemplo: "Ele vai lê o livro"...... esquecem que deve-se usar o infinitivo...LER. Acho que isso é característica no linguajar popular nordestino, e acaba sendo grafado de forma errada aos montes por aí.
Bom... confesso a você que me embaralho demais com a nova ortografia, porque, além de não aceitá-la como inteligente, não tenho a menor vontade de decorar regras ridículas que não mudam nada verdadeiramente. Acho que foi coisa de quem não tinha o que fazer, porque tudo andava bem....rsrsrsrsr. Daqui a 2 gerações isso acaba, pois quem aprende hoje já aprende o "errado"...kkkkk.
Mais um show de cultura, Parabéns... sempre superando as expectativas, hein?
Beijo

Super aulas da Jò. Parabéns!

Acabo de descobrir que preciso voltar a estudar português....
Desaprendi tudo com estas mudanças

Meu Deus! Obrigado Jô por me ajudar a observar o que é o Imperativo. Estou aprendendo com você.

Jani Brasil disse:
Acabo de descobrir que preciso voltar a estudar português....
Desaprendi tudo com estas mudanças

Com certeza, querida, embora a televisão tenha diminuído um pouco essas diferenças, onde consegue chegar.

Zezinha Lins disse:

Expressar-se de acordo com a norma culta realmente é uma competência valorizada mas também complexa, por isso acredito que é importante estar atentos também as variações que a nossa língua oferece como: a histórica, a regional e a social.

Parabéns, querida Jô!


Fico feliz, meu amigo!!!! Um abraço!


LINEU CARLOS CUNHA MATTOS disse:

Meu Deus! Obrigado Jô por me ajudar a observar o que é o Imperativo. Estou aprendendo com você.

Jani Brasil disse:
Acabo de descobrir que preciso voltar a estudar português....
Desaprendi tudo com estas mudanças

O uso do imperativo não mudou, ao contrário, as duas formas para tu e você estão sendo mais aceitas. Um grande abraço!

Jani Brasil disse:
Acabo de descobrir que preciso voltar a estudar português....
Desaprendi tudo com estas mudanças

Obrigada, minha linda e querida amiga. Grande abraço!

MARIA LUIZA KUHN disse:

Super aulas da Jò. Parabéns!


Exato, Renato. A licença poética é muito usada na propaganda, não só para chamar a atenção, mas para ter sonoridade e ser uma linguagem coloquial, pois está falando com o povão.

Renato Baptista disse:

Pois é... uma aula verdadeira... e erro é o que não falta por aí. No caso da Nossa Caixa, como publicitário, digo que houve uma inversão na ordem das coisas.... "Vem pra Caixa você tambémmmmm"... lembra do jingle?, Se fosse "Venha" ficava sem sonoridade nenhuma... então houve a licença poética na letra (o que é normal em música, principalmente nas do Roberto Carlos)... aí, aproveitaram o gancho para usar a frase como chave da campanha.... também é normal isso.
Uma das coisa que mais me chama a atenção na escrita e suas concordañcias verbais é o grande erro que canasam de postar quando se trata do infinitivo do verbo... as pessoas falam, por exemplo: "Ele vai lê o livro"...... esquecem que deve-se usar o infinitivo...LER. Acho que isso é característica no linguajar popular nordestino, e acaba sendo grafado de forma errada aos montes por aí.
Bom... confesso a você que me embaralho demais com a nova ortografia, porque, além de não aceitá-la como inteligente, não tenho a menor vontade de decorar regras ridículas que não mudam nada verdadeiramente. Acho que foi coisa de quem não tinha o que fazer, porque tudo andava bem....rsrsrsrsr. Daqui a 2 gerações isso acaba, pois quem aprende hoje já aprende o "errado"...kkkkk.
Mais um show de cultura, Parabéns... sempre superando as expectativas, hein?
Beijo

Wow ! Que bela aula !
Precisa. Muito boa !
Obrigada. Voltarei sempre !
Bjss Wau

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