Interpretação de chão de giz



Chão de Giz

Eu desço dessa solidão

Espalho coisas sobre

Um chão de giz

Há meros devaneios tolos

A me torturar

Fotografias recortadas

Em jornais de folhas

Amiúde!

Eu vou te jogar

Num pano de guardar confetes

Eu vou te jogar

Num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão

É inútil, pois existe

Um grão-vizir

Há tantas violetas velhas

Sem um colibri

Queria usar quem sabe

Uma camisa de força

Ou de vênus

Mas não vou gozar de nós

Apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar

Gastando assim o meu batom

Agora pego

Um caminhão na lona

Vou a nocaute outra vez

Prá sempre fui acorrentado

No seu calcanhar

Meus vinte anos de "boy"

That's over, baby!

Freud explica

Não vou me sujar

Fumando apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar

Gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes

Já passou meu carnaval

E isso explica porque o sexo

É assunto popular

No mais estou indo embora!

No mais estou indo embora!

No mais estou indo embora!

No mais!

A música retrata os momentos efêmeros da vida. Essas coisas passageiras se apagam da nossa vida com facilidade, assim como o giz é apagado do chão. Uma interpretação não tão consensual indica que o giz se refere à cocaína, a música faria então alusão ao consumo da droga em questão e os dilemas causados.

Interpretação da Música Chão de Giz

Destrinchando a letra verso a verso para analisarmos ao pormenor. Vamos ao primeiro verso:

"Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz"

Esta frase evidencia o sofrimento causado pelas lembranças. O autor desce e se encontra humilde no chão, olhando para as memórias de um relacionamento que se apagou rapidamente, como o giz é apagado do chão.

"Há meros devaneios tolos, a me torturar"

O passado causa dor e as memórias de um amor frustrado são uma tortura que fazem o autor delirar.

"Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes."

Existia o hábito de colecionar as fotos da sua amada, que saíam no jornal, o que corrobora com a tese de que ela era alguém da alta sociedade.

"Eu vou te jogar num pano de guardar confetes"

Os panos de guardar confetes eram sacos usados por costureiras do nordeste, onde se guardavam retalhos de pano ou papel. Neste caso, o artista refere que vai guardar essas partes da sua vida, para que não causem mais dor.

"Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir."

Um grão-vizir era uma figura importante e de autoridade, que servia como conselheiro de um sultão da antiga Pérsia. O compositor revela vontade de lutar pelo relacionamento, mas sabe que não vale a pena lutar, porque existe alguém que é mais influente, poderoso ou rico (provavelmente o marido da amada).

"Há tantas violetas velhas sem um colibri"

Nesta metáfora, a violeta velha representa uma pessoa mais velha e o colibri alguém mais jovem. Com esta frase, o autor revela que há muitas pessoas mais velhas que não têm alguém novo ou alguém que saiba amá-las verdadeiramente.

"Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de Vênus"

É possível ver nesta frase o conflito de sentimentos que existem no autor, a loucura (representada pela camisa de forças) e a paixão (representada pela camisa de Vênus).

"Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez"

Revela a decisão de ir embora, porque sabe que o relacionamento nunca terá um futuro. No entanto, ter chegado a essa conclusão foi devastador e o eu-lírico se sente abatido, como um lutador de boxe que é nocauteado por um forte golpe.

"Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar

Meus vinte anos de 'boy, that's over, baby'"

É revelada a dependência do elemento mais novo do relacionamento, que está preso. Ele se descreve como um rapaz (boy - palavra em inglês) e com a expressão em inglês "that's over, baby" (que significa: "terminou, querida"), revela que essa ligação entre os dois chegou ao fim.

"Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval"

Esta frase indica que os dois provavelmente se conheceram durante o Carnaval e o pano de confetes (onde guarda as recordações), já não tem mais utilidade, porque já está no passado.

"No mais, estou indo embora"

No fim da canção, depois de todas as recordações e afirmações, o compositor conclui que, para ele, o relacionamento terminou, por isso o único caminho viável é ir embora. No fim da música, ele se despede desse amor que causou tanta dor e o fez olhar para o chão de giz.

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Uma bela interpretação! Sempre um prazer ler você, querida Jô!!

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