A Santa Deusa Nossa de Cada Dia

Uma toalha de renda sobre a mesa tosca e as mãos daquela mulher pacientemente trabalhando o papel e criando as rosas marmorizadas. Os raios de sol bordavam crivos pelo chão acendendo pequenos vaga-lumes na poeira da tarde. Seria uma ousadia qualquer palavra dita -, qualquer som que pudesse romper a magia daquele momento. Então me calei. Haveria tempo para as palavras, mas não o tempo da comunhão. Guardar aquela imagem era o mais certo a fazer, e até mesmo o velho carrilhão se recusava a anunciar as horas. Ela estava linda em sua ocupação de enfeitar o mundo com as suas rosas. Como eu queria participar daquela liturgia - ela era a santa, a mulher, a origem, a deusa - ela era a mãe. E o meu olhar a perscrutar-lhe o semblante, reconhecia a semelhança, assim como a argila reconhece o oleiro. Naquele instante eu percebi que possuía o maior mundo e até mesmo nas batidas do meu coração aceleraram quando ela se virou para mim e disse sorrindo: Oi filha, veio ajudar a mamãe?! Eu sei fazer rosas de papel, mas não sei fazer o tempo voltar e isso é com certeza, uma das maiores, senão a maior saudade que eu já senti - da minha mãe.

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