Parecia uma casa como outra qualquer, mas não era. Seus moradores tinham sua rotina como todo mundo tem, fingiam que eram pessoas normais, mas não eram. Olhando assim de relance ninguém percebia o mistério que habitava aquela casa.
Eles tinham um mestre, um homem de olhos sérios e brilhantes que a todos e a tudo observava. O mestre cuidava de todos e não hesitou em formar uma pequena equipe para ajudá-lo na manutenção daquela casa e das atividades lúdicas que preparava para que os moradores não se sentissem entediados. Sempre havia muito trabalho, era preciso cuidar bem de cada cômodo e principalmente das pessoas. E assim eles seguiam, fingindo que eram normais, que tinha um mestre normal e que moravam numa casa normal.
Certo dia, passando em frente à casa, vi que alguém esquecera uma janela aberta, fui me aproximando devagar, olhei para os lados, não vi ninguém. Sim, porque às vezes os moradores sumiam como bolhas de sabão, parecia mágica. Depois, um a um iam surgindo e sempre que voltavam traziam algo consigo que parecia ser muito valioso, tamanho o cuidado que tinham com o tal conteúdo misterioso. Não poderia perder aquela oportunidade. Empurrei a janela devagar e fiquei simplesmente extasiado: as paredes, os móveis, o teto, o assoalho, tudo estava coberto de linhas, como se fosse um grande caderno de formato nunca visto. Em algumas linhas tinham letras que formavam palavras e se estendiam em versos e formavam poemas. Num canto, em cima de uma escrivaninha, um rádio antigo tocava Sonata ao Luar, mas percebi surpreso que junto com o som os versos saiam em fileiras e se espalhavam no ar. Senti um cheiro agradável, estiquei um pouco a cabeça e vi em cima de uma mesinha um vaso com jasmins, das flores o perfume exalado saia também em forma de versos e espalhando-se no ar misturavam-se com os versos sonoros e dessa mistura novos poemas iam se formando e se fixando nas paredes, no teto, no assoalho e na mobília formada por peças antigas e modernas numa combinação de muito bom gosto.
Descobri encantado, o mistério daquela casa e dos seus moradores. Como imaginei, não eram pessoas normais, eram poetas e aquela era a Casa da Poesia.

Zezinha Lins

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Respostas a este tópico

Eu tenho uma sensAção minha queridamiga de Goitá; q'ueu moro nessa casa.

Lindo!
Seu texto deu forma ao meu pensamentos sobre a casa...

Que lindo, Zezinha!Assim é o mundo do poeta. A poesia baila em seus olhos e fica ávida de registro.
Beijinhossssssssssssssss



Luiz Mário da Costa disse:

Eu tenho uma sensAção minha queridamiga de Goitá; q'ueu moro nessa casa.


Certamente que sim, poeta!! Obrigada pela leitura e comentário!Abração!!


Ana Pires Brandau disse:

Lindo!
Seu texto deu forma ao meu pensamentos sobre a casa...


Que bom, querida!! Obrigada pela leitura e comentário! Abraços poéticos!


maria jose zanini tauil disse:

Que lindo, Zezinha!Assim é o mundo do poeta. A poesia baila em seus olhos e fica ávida de registro.
Beijinhossssssssssssssss

O poema é o nosso par, dançamos ao som da melodia da poesia.Obrigada pela leitura e comentário, querida! Beijo!

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